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O plano negou o procedimento: o que fazer nas primeiras 48 horas

Rodrigo Nunes Pacheco Alves Rodrigo Nunes Pacheco Alves OAB/RJ 255.967 ·

Quando a operadora nega um procedimento, a reação natural é ligar para a central e discutir. O problema é que ligação não vira prova. O que decide o caso depois é o que você conseguiu registrar nas primeiras horas.

Este texto explica o que fazer, na ordem.

1. Exija a negativa por escrito

Este é o passo mais importante e o mais ignorado.

A operadora tem o dever de informar a recusa e a sua justificativa de forma clara. Ligue, peça a negativa por escrito com o motivo e o dispositivo contratual em que ela se baseia, e anote o número do protocolo da ligação. Se o atendimento for por aplicativo ou chat, salve a conversa inteira em imagem antes que ela suma do histórico.

Uma negativa verbal, sem protocolo, é muito mais difícil de demonstrar depois.

2. Peça ao seu médico um relatório, não apenas o pedido

O pedido médico diz o que fazer. O relatório explica por quê. São coisas diferentes, e a segunda é a que sustenta o caso.

Um relatório útil costuma trazer:

  • o diagnóstico com o CID
  • o histórico do que já foi tentado e por que não funcionou
  • o tratamento indicado agora, com a técnica ou o material específico
  • a razão pela qual as alternativas cobertas pelo plano não atendem
  • o risco concreto de a espera continuar, quando houver urgência

Quanto mais específico o relatório, menos espaço sobra para a operadora sustentar que a indicação é genérica.

3. Guarde tudo que tem data

Reúna o pedido médico com a data, a data em que o pedido foi enviado à operadora, os exames que embasam o diagnóstico, o contrato ou a proposta de adesão, a carteirinha e os comprovantes de pagamento das mensalidades.

A cronologia importa. Demora também é um problema, e ela só é demonstrável se as datas estiverem documentadas.

4. Registre a reclamação na ANS

O registro na Agência Nacional de Saúde Suplementar é gratuito e pode ser feito pelo site ou pelo telefone da agência. Ele gera um número de protocolo e abre um procedimento junto à operadora.

Duas coisas acontecem: em parte dos casos a operadora reverte a negativa administrativamente, e em todos os casos fica registrado que você buscou a via administrativa antes de qualquer outra medida.

5. Não pague do próprio bolso sem antes documentar

Se você precisar custear o procedimento por conta própria, o que às vezes é inevitável, guarde nota fiscal, recibo e comprovante de pagamento, e mantenha a negativa por escrito arquivada. Sem a negativa documentada, o reembolso fica bem mais difícil de discutir.

O que costuma ser decisivo

Na maioria dos casos que chegam para análise, o que separa uma situação bem documentada de uma frágil não é a gravidade da doença. É se existe negativa por escrito e se o relatório médico explica, com clareza, por que aquele tratamento específico é o indicado para aquele paciente.

Esses dois documentos você consegue nos primeiros dias. Depois fica mais difícil.


Este texto tem finalidade informativa e não substitui a análise do seu caso concreto, que depende do contrato, da data da contratação e da documentação médica.

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